BRASILEIROS NO EXTERIOR

Em Los Angeles todo mundo está crescendo, viajando, meditando — e eu estava parando

PK
Paula Karam · CRP 06/38806
5 min de leitura

Em Los Angeles, parece que todo mundo está em movimento.

Não apenas no sentido literal, embora no sentido literal também seja verdade: a cidade é construída sobre o carro, sobre o deslocamento constante, sobre a ideia de que há sempre outro lugar onde estar. No sentido mais amplo, há uma energia de progressão que a cidade projeta e que permeia as interações sociais. As pessoas estão lançando algo, trabalhando num projeto, em transição para a próxima fase, meditando para crescer, viajando para expandir perspectivas.

Ela havia chegado a Los Angeles com energia. Nos primeiros meses, havia feito parte desse movimento. Havia ido a eventos, havia se inscrito em cursos, havia começado uma prática de meditação que havia durado três semanas. Havia a sensação de estar no lugar certo no momento certo.

Em algum momento do segundo ano, ela havia parado. Não por decisão. Havia simplesmente perdido o ritmo, ficado para trás, olhado ao redor e percebido que todo mundo parecia estar em direção a alguma coisa enquanto ela havia ficado parada no mesmo lugar há meses sem saber como voltar a se mover.

O que a comparação social faz em ambientes de progressão

Comparação social é um processo cognitivo automático que acontece em todos os contextos sociais. As pessoas avaliam suas próprias situações em relação às situações dos outros como forma de calibrar onde estão e como estão indo. É um processo que tem funções adaptativas mas que, quando opera de forma distorcida, produz consequências que vão na direção oposta.

Los Angeles cria condições específicas para que a comparação social opere de forma distorcida. A cultura de visibilidade da cidade, amplificada pelas redes sociais, torna a progressão dos outros sistematicamente mais visível do que a própria. O que os outros estão lançando aparece. O que eles estão vivendo nos dias sem projeto não aparece. O resultado é uma comparação entre a totalidade da própria experiência, incluindo os dias parados, com a seleção de progressão que os outros tornam visível.

Essa comparação é intrinsecamente desigual. Não é entre realidades equivalentes. É entre a realidade interna, com todo o seu conteúdo, e a apresentação pública dos outros, que é curadoria. Mas como a comparação acontece de forma automática e como o cérebro não faz essa distinção de forma espontânea, o resultado é a sensação de estar ficando para trás numa corrida que não tem linha de chegada e que os outros parecem estar vencendo.

O que “parar” significa em Los Angeles

Em um ambiente que valoriza o movimento, parar tem uma conotação que não tem em outros contextos. Não é descanso. Não é pausa planejada. É fracasso implícito de manter o ritmo que o ambiente considera adequado.

Essa leitura não precisa ser verbalizada para ter efeito. Ela opera através da comparação com os outros que continuam se movendo, através dos posts sobre lançamentos e conquistas que chegam sem parar, através da sensação crescente de que o mundo está acontecendo em outra frequência e que ela não consegue mais entrar nessa frequência.

O que é chamado de “parar” nesse contexto frequentemente não é inércia real. É um estado de bloqueio que tem origem em algo que não está sendo examinado: esgotamento não reconhecido, confusão sobre o que de fato se quer, ansiedade que paralisa em vez de motivar. O problema não é a parada. É o que a está produzindo.

Ansiedade que paralisa em vez de motivar

Há uma distinção que a TCC faz entre dois modos em que a ansiedade pode operar em relação a objetivos. Há a ansiedade que funciona como combustível, que produz urgência e movimento. E há a ansiedade que ultrapassa o nível de ativação ótimo e se torna paralisante, onde a ameaça percebida é grande demais para ser enfrentada e o sistema nervoso responde com evitação.

Em Los Angeles, a comparação social constante com pessoas que parecem estar progredindo pode produzir um nível de pressão que ultrapassa o ponto onde produz movimento e entra no ponto onde produz paralisia. A pessoa quer se mover, sabe que precisa se mover, e não consegue iniciar o movimento porque cada passo parece insuficiente diante da distância percebida entre onde está e onde deveria estar.

Essa paralisia não é fraqueza. É uma resposta do sistema nervoso a uma percepção de ameaça que não tem saída clara. Mas como a paralisia parece confirmar o atraso em relação aos outros, ela intensifica a comparação que a produziu, e o ciclo se fecha.

O que pode quebrar o ciclo

Uma parte do trabalho clínico com esse padrão é examinar a comparação que está sendo feita. Identificar a assimetria entre a realidade interna e a apresentação dos outros. Examinar o que está sendo usado como referência e por que essa referência tem o peso que tem.

Outra parte é examinar o que está produzindo a paralisia. O que o movimento implicaria que está sendo evitado? Que ameaça a progressão representa que torna mais seguro permanecer parada? Essas perguntas raramente têm respostas imediatas, mas têm respostas, e encontrá-las é frequentemente o que desfaz o bloqueio.

A terapia em português oferece esse espaço. Sem a pressão de Los Angeles, sem a comparação, sem a performance de progressão. Uma conversa onde o que está parado pode ser dito como está, e onde o que está produzindo a parada pode ser examinado. Se o que foi descrito aqui ressoa com o que você está vivendo, uma avaliação clínica pode ser um próximo passo.

Próximo passo

Avaliação clínica sem compromisso.
Online, em português.

A primeira sessão é de avaliação — não de terapia. Ao final você tem uma formulação do seu quadro e um plano proposto. Você decide se continua.