Quem me procura do Meio-Oeste quase sempre começa explicando que não conhece muitos brasileiros por perto. Um ou dois no trabalho, uma família na igreja, um grupo de WhatsApp que se encontra duas vezes por ano.
É uma situação diferente da de quem mora em Marietta ou em Danbury, onde a comunidade tem endereço, comércio e rotina. No Meio-Oeste a presença brasileira existe, mas está espalhada por dez estados e por cidades que ficam a horas umas das outras. Você pode ser o único brasileiro do seu prédio, do seu andar, da sua rua.
Na clínica, o que observo é que essa dispersão produz um cansaço específico. Não é saudade de um lugar, é o esforço permanente de ser sempre o estrangeiro da sala. Explicar de onde você vem, corrigir a pronúncia do seu nome, traduzir a piada que não tem tradução. Parece pouco, e repetido todo dia por anos deixa de ser pouco.
O inverno do Meio-Oeste não é só longo, é hostil de um jeito que organiza a vida. Meses em que sair de casa exige planejamento, em que o carro precisa ser raspado antes de qualquer coisa, em que o encontro marcado é desmarcado por causa da neve.
Para quem já tem pouca gente por perto, isso fecha a conta. O contato que existia no verão desaparece, e os meses passam com casa, trabalho e carro, nessa ordem, todos os dias. As pessoas costumam me dizer, em fevereiro, que faz semanas que não conversam com ninguém sobre nada que importe.
O trabalho da terapia aqui não é combater o clima, é evitar que o isolamento vire rotina aceita. Isso significa planejar contato antes que o inverno chegue, manter o que pode ser mantido à distância e tratar o recolhimento como algo que você decide, e não como algo que simplesmente acontece com você.
Uma parte grande de quem chega ao Meio-Oeste veio estudar ou pesquisar. Mestrado, doutorado, pós-doutorado, residência, revalidação. São cidades universitárias, e isso define o tipo de vida que se leva.
A queixa que chega ao consultório é quase sempre de prazo. A bolsa tem data para acabar, o projeto depende de um resultado que não depende só de você, e a decisão de ficar ou voltar fica adiada porque não há informação suficiente para decidir. Viver assim é viver em suspenso.
Isso não é falta de planejamento, é a estrutura do que você aceitou quando veio. A terapia não resolve o prazo, mas ajuda a separar o que é decisão sua do que é espera, e a não colocar a vida inteira em compasso de espera junto.
A região metropolitana de Chicago é grande e a rotina muda conforme onde você está.
Vida urbana, apartamento, transporte público, muita gente ligada a universidade ou a serviço. É onde a solidão aparece mais cedo, porque a cidade é grande e a rede é pequena.
Subúrbio de trabalho, com deslocamento diário e agenda apertada. Quem mora aqui costuma dizer que o dia acaba antes de sobrar tempo para qualquer coisa que não seja obrigação.
Subúrbio de família, casa, escola, filhos que estão virando americanos mais rápido do que os pais conseguem acompanhar.
Outras metrópoles da mesma jurisdição, cada uma com sua comunidade pequena. A distância entre elas é grande o bastante para que ninguém se sinta parte de um mesmo grupo.
Iowa, Nebraska, Dakota do Norte, Dakota do Sul, o interior de Minnesota e de Wisconsin. Quem vive nessas regiões costuma ser, de fato, a única família brasileira da cidade.
Não há igreja em português, não há mercado, não há a quem pedir uma indicação. Encontrar atendimento psicológico na sua língua a uma distância dirigível é praticamente impossível, e a alternativa em inglês esbarra numa dificuldade real: falar de sofrimento numa língua aprendida é diferente de falar na língua em que você foi criado.
É para isso que o atendimento online existe. A sessão acontece em português, com alguém que entende o país de onde você veio, esteja você em Chicago ou numa cidade de dez mil habitantes em Nebraska.
Atendimento particular. Emitimos recibo que pode ser apresentado ao seu seguro nos EUA para reembolso out-of-network de saúde mental.
A avaliação inicial custa R$ 100 e cada sessão de terapia, R$ 222. O atendimento é particular, com recibo que pode ser apresentado ao seu seguro nos EUA para eventual reembolso out-of-network.
Não. Você é atendido por psicólogas brasileiras registradas no CRP, em português, sob a Resolução CFP nº 11/2018, que autoriza o atendimento online para brasileiros que vivem fora do país. É a mesma regulamentação da terapia presencial no Brasil.
Sim, e para muita gente é o que faz diferença. Falar da própria história no idioma em que ela foi vivida evita o esforço de traduzir emoção e permite que a psicóloga entenda a referência cultural sem que você precise explicá-la.
Sim. A psicoterapia por vídeo é reconhecida pelo Conselho Federal de Psicologia e, para a TCC, apresenta resultados equivalentes aos do atendimento presencial. O que sustenta o resultado é o vínculo com a psicóloga e a consistência das sessões, não o formato.
A síndrome do impostor aparece quando a pessoa atribui as próprias conquistas à sorte e vive com medo de ser descoberta. A TCC trabalha essas crenças, confrontando-as com evidências reais da sua competência e reduzindo a autocrítica severa que alimenta o ciclo.
Sim. O luto migratório é a tristeza de deixar para trás a cultura, os vínculos e a versão de si que ficou no Brasil. A TCC ajuda a elaborar essa perda e a integrar a identidade brasileira à vida construída nos Estados Unidos.
É muito comum no Meio-Oeste. A comunidade brasileira da região existe, mas está espalhada por dez estados, e fora das grandes cidades é frequente ser a única família brasileira do lugar. O que costuma pesar não é a falta de festa, é a falta de alguém a quem você não precise explicar de onde veio.
Dá, e é um dos pedidos mais frequentes de quem mora na região. O trabalho é prático: mapear o que costuma acontecer quando o frio chega, planejar contato antes do recolhimento se instalar, e separar o que é descanso do que é isolamento. O objetivo não é enfrentar o inverno, é não deixar que ele decida por você.
Sim. O atendimento é online e não depende de onde você mora. A jurisdição do consulado de Chicago cobre dez estados, e atendemos em todos eles, além do restante dos Estados Unidos.
Chicago está no Central Time. Entre março e novembro, fica duas horas atrás de Brasília. No restante do ano, três horas, porque o Brasil não adota mais horário de verão. Na prática, o fim da tarde por aí é começo da noite no Brasil.
Faz, e o prazo pode inclusive organizar o trabalho. Dá para definir objetivos dentro do tempo que você tem, e retomar depois se a sua situação mudar. Muita gente que chega por estudo ou pesquisa procura terapia justamente para lidar com a decisão de ficar ou voltar, que costuma ficar em suspenso por anos.
Pela página de contato você fala direto com a clínica e combina o horário da avaliação inicial, que é feita por vídeo. Não há lista de espera.
Atendimento em português, sem lista de espera, para brasileiros em Chicago e em todo o Meio-Oeste.