Antes de vir para a Suíça, a imagem que a pessoa tem do lugar é construída por camadas. Tem a imagem que vem dos documentários de viagem, dos relatos de quem passou por aqui de férias e voltou encantado, das estatísticas de qualidade de vida que aparecem toda vez que alguém faz um ranking de onde é melhor morar no mundo. Tem a imagem que vem da comparação com o Brasil: um país que funciona, onde as coisas são bem feitas, onde o dinheiro vale, onde a segurança é real. E tem a imagem que vem de quem ficou no Brasil e que pergunta, com uma mistura de curiosidade e inveja que é impossível não perceber, como é morar num lugar assim.
Essa última imagem é a mais difícil de lidar depois que a pessoa está dentro da experiência. A inveja de quem ficou pressupõe que a vida que está sendo vivida aqui é tão boa quanto parece de fora. E parte dela é. A qualidade material da vida na Suíça é real e não é pequena: as coisas funcionam, o ambiente é seguro, o salário é outro. Mas a inveja de quem está de fora não cobre a dimensão da vida que não aparece nas fotos e que é a dimensão que mais dói quando está faltando: a pertença, o vínculo, a continuidade de uma história pessoal num lugar que a reconhece.
Em Basileia, essa experiência tem uma forma própria. Basileia é a capital cultural da Suíça, a cidade das feiras de arte, dos museus, da fronteira tripla com a França e a Alemanha que cria uma atmosfera cosmopolita diferente das outras cidades suíças. Para quem vai para Basileia, a expectativa frequentemente inclui um ambiente mais aberto pelo perfil artístico e internacional da cidade. Essa expectativa se confirma em parte: há eventos, há diversidade cultural visível, há uma energia diferente da Zurique corporativa. O que a abertura cultural de Basileia não garante automaticamente é a abertura pessoal que a brasileira buscava.
Em Berna, o perfil é diferente. Berna é a capital federal, a cidade onde o governo suíço funciona, onde as instituições políticas do país têm sede. Tem uma escala menor do que Zurique e Genebra, um ritmo que é menos acelerado, uma presença mais germânica. Para quem vai para Berna por trabalho ligado às instituições federais ou a organizações que operam nesse ambiente, a cidade oferece uma estabilidade de ritmo que pode ser bem-vinda depois de anos num grande centro urbano. O que ela não oferece é um substituto para a rede que ficou no Brasil, e em Berna, onde a cidade é menor e os círculos sociais são mais fechados, construir essa rede leva mais tempo do que a pessoa costuma antecipar.
O que significa invejar um lugar antes de conhecê-lo por dentro
A inveja funciona com imagens, não com experiências. A imagem da Suíça que circula no Brasil é a imagem dos Alpes, dos chocolates, dos relógios, do banco suíço, da organização que parece impossível comparada com o caos de uma cidade brasileira de médio porte. Nenhuma dessas imagens inclui o que é fazer amizade com um suíço, ou tentar integrar-se num grupo social estabelecido há décadas, ou lidar com o silêncio de um apartamento num país onde as pessoas respeitam o horário de silêncio de forma tão completa que às vezes o silêncio parece um estado de abandono.
A pessoa que invejava a Suíça antes de vir não estava errada sobre o que o país oferece. Estava incompleta, como qualquer imagem de fora de qualquer experiência. Ao chegar, a imagem vai sendo substituída pela experiência, e a experiência tem dimensões que a imagem não antecipou. Isso é normal em qualquer mudança internacional. O que é específico da Suíça é que a distância entre a imagem de fora e a experiência de dentro é particularmente grande, porque a imagem é particularmente positiva e a experiência particular do isolamento social é particularmente difícil de nomear sem parecer que está sendo ingrata por não estar aproveitando um lugar que o mundo inteiro quer.
Basileia e o que a capital cultural da Suíça entrega para quem está chegando
Basileia entrega uma cena cultural que não tem equivalente nas outras cidades suíças. A Art Basel, a maior feira de arte contemporânea do mundo, acontece aqui todo ano. Os museus são excepcionais: o Kunstmuseum, o Museu Tinguely, o Vitra Design Museum logo do lado da fronteira alemã. A cidade tem teatros, tem uma vida noturna que é modesta pelos padrões de uma capital europeia mas que é real e variada. Para a brasileira que chega a Basileia por um motivo profissional e que tem interesse em cultura, o ambiente oferece uma programação que mantém a mente ocupada e que cria oportunidades de saídas e descobertas nos primeiros meses.
O que Basileia não entrega automaticamente é a transformação dessas oportunidades culturais em vínculos pessoais. Ir a um museu em Basileia é ir a um museu: a experiência é boa, o espaço é excelente, e a pessoa termina a visita sem ter conhecido ninguém novo. O ambiente cultural da cidade oferece pontos de exposição a eventos mas não oferece, por si só, a infraestrutura de contato que transforma uma visita num relacionamento. Essa distinção parece óbvia dita dessa forma, mas para quem está num período de isolamento e buscando pontos de entrada para construir vida social, a diferença entre “ir a eventos” e “conhecer pessoas” pode levar meses para se tornar clara.
Berna e o que a capital federal reserva para quem fica além do turismo
Berna tem uma escala humana que Zurique e Genebra não têm. A cidade medieval, com suas arcadas cobertas que protegem do frio e da chuva, tem um charme que os turistas percebem e que os moradores acabam incorporando no cotidiano. O ritmo é mais lento, a cidade é menor, e há uma sensação de que as coisas são mais manejáveis aqui do que num grande centro financeiro ou diplomático. Para quem veio de uma metrópole brasileira e estava cansada do ritmo acelerado e do barulho constante, Berna pode parecer, nos primeiros meses, exatamente o tipo de lugar que estava faltando.
Com o tempo, a escala menor de Berna revela um outro lado. Numa cidade menor, os círculos sociais são mais fechados porque as pessoas têm menos necessidade de expandir: a rede de amigos e conhecidos de longa data já existe, já é suficiente, e a abertura para incluir alguém novo é menor do que num ambiente de alta rotatividade como Zurique ou Genebra. A brasileira que vai para Berna e que espera que a escala menor facilite a integração pode descobrir que a menor densidade de expatriados e a maior estabilidade dos círculos locais tornam a construção de vínculos mais demorada, não mais rápida.
O gap entre a imagem externa e a experiência interna quando o lugar é a Suíça
Esse gap é maior na Suíça do que em muitos outros destinos porque a imagem da Suíça é excepcionalmente positiva e unidimensional. A imagem não inclui o isolamento social. Não inclui o que é tentar construir pertença num lugar onde as pessoas são respeitosas mas não disponíveis. Não inclui o silêncio específico de um domingo em Basileia ou em Berna quando tudo está fechado e a pessoa não tem ninguém para ligar sem hora marcada com antecedência. Não inclui o cansaço de ser sempre a estrangeira que precisa explicar de onde vem, o que faz ali, por quanto tempo vai ficar.
Esse gap não invalida a experiência e não invalida a decisão de ter vindo. Significa que a pessoa está vivendo algo que é mais complexo do que a imagem prometia, e que é preciso mais do que a imagem para dar conta dessa complexidade. A distância entre o que foi prometido pela imagem e o que está sendo vivido pela experiência produz uma forma específica de desorientação: a pessoa sabe o que deveria estar sentindo, porque todo mundo ao redor diz que quem está na Suíça deveria estar bem, e sabe que não está sentindo isso, e não sabe muito bem o que fazer com essa distância.
A inveja de quem ficou no Brasil e o que ela não cobre
A inveja de quem ficou no Brasil é uma das formas de validação que a pessoa recebe pela decisão de ter vindo, e ao mesmo tempo é uma das formas de isolamento que a experiência produz. Quando a pessoa está passando por um momento difícil em Basileia ou em Berna e tenta falar sobre isso com alguém no Brasil, a resposta frequente inclui a comparação: “mas você está na Suíça”. Essa comparação não é maliciosa. É o resultado natural de quem está olhando de fora com a imagem de fora, sem acesso à experiência de dentro.
O problema é que essa resposta fecha o espaço de fala. Se a pessoa sabe que vai ouvir uma variação de “mas você está na Suíça” quando tentar nomear o que está sentindo, ela passa a não nomear. O não-nomear se acumula. O que poderia ter sido processado em conversa com alguém de confiança vai ficando represado, sem lugar para ser colocado, e vai pesando de formas que a pessoa nem sempre consegue mapear com clareza até que o peso fica grande demais para carregar sozinha. Isso tem um custo que não aparece nas estatísticas de qualidade de vida mas que é real.
O que o psicólogo para brasileiros na Suíça oferece para quem está vivendo esse contraste
O trabalho do psicólogo para brasileiros na Suíça que estão nesse lugar começa pelo que raramente é possível falar em qualquer outro espaço: a experiência real, sem a obrigação de começar pelo privilégio. Sem precisar dizer primeiro que sabe que é um lugar incrível, que sabe que tem muito a agradecer, que sabe que muita gente gostaria de estar no lugar dela. Esse começo por onde a experiência de fato está, não por onde ela deveria estar de acordo com a imagem externa, é o que abre espaço para trabalhar com o que está acontecendo de verdade.
O processo terapêutico pode trabalhar com a distância entre imagem e experiência que a mudança para a Suíça produziu. Pode trabalhar com o que a inveja de quem ficou fez com a percepção da própria experiência. Pode trabalhar com o que foi perdido na mudança e que não foi contabilizado porque foi coberto pela narrativa do ganho. E pode trabalhar com o que ainda pode ser construído aqui, no tempo que a pessoa tem, nas condições que existem, sem a pressão de que precisa estar exatamente como quem olha de fora imagina que esteja.
Terapia online para brasileiros na Suíça: atendimento em português
Para quem está em Basileia, Berna ou em qualquer cantão da Suíça
O atendimento da Cognicom Global é online, em português, disponível para brasileiros em toda a Suíça. Para quem está em Basileia ou Berna e está carregando a distância entre o que imaginou que seria e o que está sendo, o formato online significa que o espaço de fala existe sem depender de encontrar terapeuta brasileiro na sua cidade.
Fuso e horários
A Suíça fica entre 4 e 5 horas à frente do Brasil. Sessões no início da manhã suíça (7h às 8h CET) ou no início da noite (18h às 20h CET) encontram janelas compatíveis com o horário comercial brasileiro. A Cognicom trabalha para encaixar dentro do calendário de cada pessoa. O atendimento é particular, cobrado em reais, sem cobertura de seguro saúde suíço.
Avaliação inicial
O ponto de entrada é uma avaliação clínica inicial sem compromisso de continuidade. Para quem morava no Brasil e invejava quem estava na Suíça, e agora está na Suíça e sente que a experiência é mais pesada do que a imagem prometia, essa conversa é o espaço onde isso pode ser dito sem precisar começar pelo privilégio.
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